...


- Ester, arrume a bagunça! Arruma! Arruma logo!
A velha Betina entrava apressada cozinha adentro empurrando a porta, enxotando a galinha da janela, falando, falando, limpando as mãos em seu avental remendado... Todo santo dia a mesma cena se repetia... Logo em seguida, vinha o pobre Ernani com seu balde de leite.
- Bom dia! Bom dia, Ester! Bom...
O velho não completou seu pensamento parou repentinamente em frente ao bolo com um olhar questionador. Pôs o balde de leite sobre a mesa e virou-se na direção de Ester.
- Menina Ester...
- Quê? Quê que é?
- Ocê... Ocê por acasio da vida ou trapalhice sua... Deixo o bolo cai no chão de novo?
- Claro que nunquinha que não, véio Ernani. Juro pelo túmulo de dona Lee mortinha.
- Betina! Velho Ernani! Dà licença, dá licença...
Um cativo invadiu a cozinha colocando seus pés calejados em solo particularmente proibido para ele, mas embora soubesse disso, seu desespero trazia consigo uma noticia urgente. Chamava pelo nome dos criados mais velhos da casa, exaltava a rouca voz desviando as atenções da balbúrdia de Ester em direção ao seu clamor. Aquele era Aisha. Escravo de braço forte e presença marcante, incapaz de passar por despercebido em meio a qualquer multidão... E Mary sabia muito bem disso. Ela era a dona de seu coração.
- Betina! Os... Os escravos estão fugindo... Estão roubando os cavalos e as vacas para lutarem na guerra...
Aisha bufava, levava as mãos aos joelhos. Parecia não se reconhecer como parte de um grupo que ansiava por liberdade.

2 comentários:

Hamilton H. Kubo disse...

Adorei a parte em que Aisha bufa, sem se reconhecer como parte de mesma luta.

Beijos!

blogueira:* disse...

adorei TUDO ! ovce escreve muito bem !

http://sessentasegundosx.blogspot.com/

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